As obras de restauro do Centro Cultural Matarazzo seguem em andamento e avançam para uma nova fase técnica. O projeto é conduzido por uma equipe multidisciplinar especializada em arquitetura, engenharia e preservação do patrimônio industrial e foi contemplado pelo Edital nº 12/2024 da Secretaria de Cultura, Economia e Indústrias Criativas do Estado de São Paulo, com previsão de conclusão até o fim de setembro.
Entre as etapas já concluídas está uma das fases mais determinantes do restauro: a remoção das intervenções realizadas em 2006, que descaracterizavam o conjunto arquitetônico original. Com isso, foi possível revelar novamente a espacialidade das antigas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, permitindo que os galpões retomem sua leitura arquitetônica original.
Segundo a arquiteta Cristiana Pasquini, responsável técnica pelo projeto, essa primeira fase concentrou-se em demolições criteriosas de elementos que, do ponto de vista histórico, suprimiam componentes importantes da memória e da história do edifício. “Agora entramos em uma etapa mais fina, voltada ao restauro das paredes de tijolos que estavam ocultas e à recuperação da cobertura do telhado, trazendo à tona essa materialidade e revelando o espaço em sua integralidade”, explica.
Outro marco simbólico da restauração foi a reabertura de duas antigas passagens laterais, voltadas para a Rua Marechal Floriano Peixoto, que originalmente conectavam o complexo à linha férrea. “Essas aberturas serviam para levar a produção diretamente aos trilhos do trem e, com o tempo, foram fechadas. Agora, nós as recuperamos, mas com um novo significado: em vez de mercadorias saindo, queremos a cidade entrando. É o patrimônio industrial se reconectando com o seu tempo”, destaca a arquiteta.
Atualmente, o projeto entra em uma fase técnica essencial, com a execução das instalações hidráulicas de água e esgoto, além da construção das áreas molhadas, como os banheiros, e da infraestrutura elétrica. Essa etapa é fundamental para garantir a funcionalidade do espaço e viabilizar o novo uso cultural do complexo. Trata-se de um trabalho integrado, que envolve a atuação simultânea de diferentes disciplinas, reforçando o caráter coletivo e técnico do processo de restauro.
Fonte: Secretaria de Comunicação