No Centro Municipal de Zoonoses foram detectados nos últimos 30 dias cinco cachorros infectados com leishmaniose visceral. Dois casos importados, que são de animais vindos de outros municípios. Três autóctones, que são o da doença contraída na própria cidade. O vetor da doença é o mosquito palha, encontrado em Presidente Prudente no começo do ano passado. Um histórico que oferece indícios de que a doença pode chegar facilmente aos humanos. Na Secretaria Municipal de Saúde é montada uma estratégia para avaliação da população canina estimada em 50 mil, que consiste na coleta de sangue de cada animal, de casa em casa. Trabalho que se inicia neste feriado de quinta-feira.

Em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira o assunto foi tornado público após o secretário de Saúde, o médico Sérgio Cordeiro, ter conversado com o prefeito Milton Carlos de Mello 'Tupã' (PTB) e recebido a orientação de encarar o problema de frente e avisar a população sobre o que está ocorrendo. Antes, Cordeiro esteve reunido com a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, a enfermeira Vânia Maria Alves, e com o diretor do Centro de Zoonoses, o médico veterinário Célio Nereu Soares. Ambos acompanharam Cordeiro na entrevista realizada no auditório da Secretaria Municipal de Saúde.

"Em fevereiro de 2009, também numa coletiva, anunciamos o fato de termos encontrado o vetor da leishmaniose que é o mosquito palha. Agora, em pouco mais de um ano, encontramos cães com a doença. Para chegar às pessoas é uma questão de tempo. Estamos cercados por município que vivem este problema e não sei como conseguimos resistir o tempo todo", disse Cordeiro ao anunciar os cinco casos que tiveram o diagnóstico confirmado nesta semana. Como para os cães não existe cura, os animais passaram por eutanásia. O que consiste em anestesia para dormir e a aplicação de medicamento que faz parar o coração. Morte sem sofrimento.

Ao dar estas explicações, Soares contou que foi coletado sangue de 2.100 cães durante o ano passado e 400 neste ano. Porém, agora existe a necessidade de examinar os cerca de 50 mil cães da cidade. O serviço de coleta de sangue terá início nesta quinta-feira pela equipe de cinco servidores municipais, mas que 20 outros trabalhadores são selecionados e passam pelo processo de imunidade (vacina) para que possam líder com os cães. O localização geográfica dos cães contaminados com a doença é mantida em sigilo, como parte da estratégia do trabalho que segue as normas da Secretaria de Estado da Saúde, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

A explicação é de que o cachorro contaminado pode não apresentar nenhum sintoma da doença que só é transmitida de animal para animal ou para o humano mediante a picada do mosquito. O cão contaminado pode lamber e até morder uma pessoa que não há como transmitir a doença. O apelo é para que as pessoas permitam a coleta de sangue dos cachorros. "Caso alguém se negue a deixar mexer com seu animal, assumirá o compromisso de procurar por clínica veterinária e entregar na Vigilância Epidemiológica o resultado do exame, num prazo de 30 dias", explicou Cordeiro.

O mosquito palha se reproduz em locais com materiais em decomposição, razão pela qual é feito um outro apelo à população: a limpeza de quintais. Na região de Presidente Prudente, em 19 de março deste ano morreu um trabalhador braçal de 40 anos acometido de leishmaniose. Era morador de Osvaldo Cruz. Em Adamantina tem um caso de morte em 2006. Em 2007, teve caso de morte em Araçatuba. Em Minas Gerais foram 52 mortes nos últimos dois anos, a maioria em Belo Horizonte. Diante dos cães contaminados, existe a perspectiva da doença em humanos em Prudente. Vânia Maria orienta a população a contribuir com o trabalho da saúde pública, com a explicação de que as casas serão visitadas por equipes identificadas por uniforme, crachá e veículo oficial; além de incluir a presença de médico veterinário.

Fonte: Assessoria de Comunicação